SETEMBRO AMARELO, A EFETIVIDADE DA CAMPANHA NA PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA
SAÚDE MENTAL
Autora: Leopoldina Veiga Guimarães Ferreira
Segundo a Organização Mundial de Saúde de 10 a 20 milhões de pessoas tentam o
suicídio a cada ano. São cerca de 16 mortes a cada 100.000 habitantes, uma
morte a cada 40 segundos. É uma das 10 principais causas de morte no planeta e a
segunda entre Jovens de 15 a 29 anos. No Brasil estima-se que 24 pessoas morrem
ao dia (CVV, 2019; BRASIL, 2019). Em Ji-Paraná, dados da Delegacia de Polícia
Civil (2019), apontam que de janeiro de 2018 a agosto de 2019, foram
registradas 21 perdas: 9 na Delegacia de Homicídio, 8 na 1ª Delegacia de Polícia
Civil, 4 na Delegacia da mulher.
Diante da realidade crescente de perdas, surgiu a Campanha
Setembro Amarelo, com intuito de prevenir o suicídio e promover a saúde mental.
Tal campanha foi iniciada no Brasil em 2015, através da parceria entre o Centro
de Valorização da Vida – CVV, o Conselho Federal de Medicina e a Associação
Brasileira de Psiquiatria (BRASIL, 2019; CVV, 2019). Mas atualmente estudiosos
da saúde mental questionam a efetividade desta iniciativa. Estaria esta
campanha minimizando de fato as perdas?
Conforme
o estudo descritivo
e ecológico de séries temporais realizado por Oliveira et al. (2020), após o
início da campanha Setembro Amarelo, houve um aumento significativo de
suicídios e de tentativas de suicídio no Brasil:
Os resultados da pesquisa mostram que,
no Brasil, as taxas de incidência relacionadas ao suicídio apresentaram dados
ascendentes após a implantação do programa, apontando uma variação de
mortalidade de 45 para 75 em 2013 e 2016, respectivamente, correspondendo a um
aumento de 66,6% na taxa de incidência entre os anos supracitados, conforme
notificações realizadas no DATASUS (OLIVEIRA et al., 2020, p.4).
Os autores apontam que
ao invés da campanha atuar na prevenção, diminuindo as taxas de incidência, os
dados demonstram números crescentes de mortes por suicídio. Deste modo, eles
fazem a seguinte observação: “Faz–se necessário acompanhar a campanha por um
maior intervalo de tempo, a fim de compreender seus impactos futuros” (OLIVEIRA
et al., 2020, p. 4).
A saúde
mental é construída e reconstruída a partir das relações
estabelecidas com o meio, denominado de rede ou trama social (DUTRA; OLIVEIRA, 2015). É neste contexto territorial que a psicologia
ao ser inserida traz um novo olhar a demanda assistida. Conforme Cezar, Rodrigues e Arpini (2015) desde o
início da atuação da psicologia houve uma preocupação com intervenções que
suprissem as ações da saúde mental. Assim, é importante refletir sobre a
prevenção e promoção da saúde mental nos mais variados contextos, alcançando a
comunidade desassistida. Mais do que falar em perdas, é necessário enfatizar a
importância da saúde mental para este grave problema da saúde pública, pois saúde mental é um
direito garantido em todos os níveis de atenção em saúde pública.
A Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou
o Plano de Ação Global de Saúde Mental 2013-2020,
com finalidade de proteger e promover os direitos humanos pessoas portadoras de
transtornos mentais e do cuidado de base comunitária (HIRDES, 2015). No entanto, é preciso
estar atento às situações emergentes, como o que vivenciamos na atualidade da
pandemia da COVID-19. Os impactos sofridos pela
população mundial, como o luto, o isolamento social, o medo, as angústias, entre
outros, abalou a saúde mental mundial, necessitando de intervenções
psicológicas que dessem suporte a essas demandas:
Em suma, compreende-se que a
Psicologia pode oferecer contribuições importantes para o enfrentamento das
repercussões da COVID-19, que vem sendo considerada a maior emergência de saúde
pública que a comunidade internacional enfrenta em décadas. Essas contribuições
envolvem a realização de intervenções psicológicas durante a vigência da
pandemia para minimizar implicações negativas e promover a saúde mental, bem
como em momentos posteriores, quando as pessoas precisarão se readaptar e lidar
com as perdas e transformações (SCHMIDT et al., 2020, p. 10).
Enfatizo aqui a boa
intenção e a importância da Campanha Setembro Amarelo, mas também reconheço a
necessidade da promoção da saúde mental cotidianamente. Recorrer aos serviços
direcionados à promoção e proteção da saúde mental é um direito assegurado ao
cidadão e isto deve ser enfatizado a qualquer pessoa em sofrimento mental. Cabe
aos executores das nossas políticas públicas em saúde mental efetivarem este
direito. Como também aos profissionais da saúde mental, darem uma nova roupagem
às suas intervenções, saindo do tradicional setting
terapêutico, utilizando-se das ferramentas tecnológicas, alcançando assim o
maior número de pessoas em sofrimento mental, indicando-lhes novas
possibilidades de enfrentamento a dor. É preciso promover a vida!
REFERÊNCIAS
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Acesso em: 18 set. 2020.

1 Comentários
Excelente!
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