EMPATIA

 


Autora: Leopoldina Veiga Guimarães Ferreira

 

A palavra empatia, do grego empatheia, “paixão”, parte do vocábulo grego pathos, que pode definir todos os sentimentos experenciados pelo ser humano, tais como: sofrimento, paixão, tristeza, ira, doença. Se antepor o prefixo syn- com, forma-se a sympatheia, que significa "sofrer juntos" ou, mais genericamente, "experimentar juntos um sentimento e compartilhá-lo. Com o prefixo en- forma-se empatheia, entendida como a capacidade de uma pessoa de pôr-se no lugar de outra, de participar afetivamente no que a outra sente.  O contrário de sympatheia era antipatheia, palavra formada com o prefixo anti- contra, que nos chegou como antipatia. Se antepomos o prefixo negativo a-, temos apatia – falta de interesse na outra pessoa (CASTRO, 2015).

O filósofo contemporâneo Leandro Karnal explica que empatia não é a troca de uma dor visto que somos únicos, e, portanto, possuímos mecanismos celulares e cerebrais, nervosos e emocionais que conduzem sensações dolorosas exclusivas. Fisiologicamente somos diferentes. Sentimos frio, calor, alegria de maneira diferente, pois somos ímpares. Mas ele reitera seu pensamento tecendo o seguinte comentário sobre a empatia:

 

Sempre foi complicado. Piorou nos últimos anos. Empatia é um desafio muito grande. Ela pressupõe em primeiro lugar uma vontade de entender ao outro de tirar um pouco da cegueira sobre o outro, e aceitar, discutir e incorporar valores que pertençam ao outro. Empatia é um esforço. (KARNAL, 2018, [s.p.]). 

 

Se você tem curiosidade de saber o seu grau de empatia, hoje existem instrumentos com esta finalidade, tanto para adultos, como para jovens e adolescentes e crianças. Como o teste: Teste de Empatia Cognitiva e Afetiva - TECA (LÓPEZ; FERNÁNDEZ-PINTO; ABAD, 2008); a Escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal de Davis (EMRI), que é uma medida de empatia (reatividade interpessoal) composta por três subescalas com sete itens cada, que avaliam componentes afetivos, cognitivos e comportamentais e a Escala de Empatia para Crianças e Adolescentes de Bryant (EECA), que é uma medida com 22 itens. Estas duas escalas foram validadas no Brasil por Koller et al (2001).

Mas afinal, o que é necessário para ser empático? É preciso, primeiramente, ultrapassar algumas barreiras. Dentre elas encontram-se os estereótipos, o preconceito, as crenças, os costumes para estender a mão ao outro em seu momento de dor. É preciso retirar a atenção de si, mesmo que por alguns instantes e manter o olhar atento sobre a outra pessoa; mais do que isso, é necessário identificar-se com ela e com a situação vivenciada por ela, ouvindo-a atentamente. Entretanto, saber ouvir ativamente o outro, mas não simplesmente ouvir e não se importar com o que se ouviu; ao contrário, é ESCUTAR e ACOLHER a angústia do outro. É também agir, fazendo o que está ao seu alcance, inclusive os encaminhamentos das demandas.

Empatia difere-se de um esforço comum ofertado a alguém. Ao contrário, estende-se a um nível de compreensão das dificuldades, intensidades, dores e emoções de alguém em sofrimento, sem pré-julgamento ou questionamento algum ao ser solidário, emprestando os ouvidos ou simplesmente o ombro amigo.

A empatia prática pode acontecer em qualquer lugar e em todas as relações humanas: Familiares, amizades, colegas de trabalho, irmãos de igreja ou até mesmo com desconhecidos no corre-corre no nosso dia-a-dia, pessoas que passam em nossas vidas, as quais nunca vimos antes, e provavelmente nunca mais voltaremos a ver. Seja onde for, sempre haverá espaço para essa experiência de compreensão das dificuldades do outro, ouvindo, acolhendo, sendo solidário, emprestando um ombro amigo, retornando uma ligação, encaminhando, simplesmente praticando-a.

            A prática da empatia pode representar como se encontra nossa saúde mental, pois se não a praticamos, logo estamos apáticos, e a apatia é um dos primeiros sintomas da depressão, o que pode representar um comprometimento da nossa saúde mental.

            Gosto muito da frase do escritor brasiliense, João Doederlein, que é uma representação perfeita da empatia para mim:

 

Empatia não é sentir pelo outro, mas sentir com o outro. Quando a gente lê o roteiro de outra vida. É ser ator em outro palco. É compreender. É não dizer "eu sei como você se sente". É quando a gente não diminui a dor do outro. É descer até ao fundo do poço e fazer companhia pra quem precisa. Não é ser herói, é ser amigo. É saber abraçar a alma.

 

Portanto, quero encerrar esta reflexão realizando os seguintes questionamentos: você tem sentido com o outro? Tem lido outros roteiros ou só consegue enxergar os próprios problemas? Tem permanecido no seu palco ou sido corajoso de atuar no palco do outro, correndo o risco de ser aplaudido ou vaiado por outra plateia? Você tem de fato compreendido a dor do outro ou age como um juiz que precisa dar um veredito final? Você tem sorrido achando que a dor do outro é pequena demais? Ou tem descido ao fundo do poço e feito companhia para quem está precisando sair de lá? Você tem sido amigo ou tido gestos amigos? Você tem abraçado almas em sofrimento ou tem apenas tocado superficialmente algumas lacunas? Viva a EMPATIA! Seja útil na vida do seu semelhante. Um pequeno gesto de generosidade pode melhorar muito o dia de alguém. Pequenas atitudes, grandes gestos!

 

REFERÊNCIAS

CASTRO, Lais. Etimologia – Empatia, 2015. Disponível em:

<https://patrialais.blogspot.com/2015/10/etimologia-empatia.html.> 01 agosto 2020.

 

KARNAL, Leandro. O que é empatia? Filosofia animada, 2018. Disponível em: Disponível: https://www.youtube.com/watch?v=aIpzmpAYfuI. Acesso em: 04 agosto 2020.

 

KOLLER, Sílvia Helena et al. Adaptação e validação interna de duas escalas de empatia para uso no Brasil. Estudos de psicologia (Campinas), v. 18, n. 3, p. 43-53, 2001. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/estpsi/v18n3/04.pdf>. Acesso em: 04 agosto 2020.

 

LÓPEZ, B.; FERNÁNDEZ-PINTO, I.; ABAD, F.J. Test de empatía cognitiva y afectiva. Madrid: TEA Ediciones, 2008.

 

 


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