AFINAL, O QUE É RESILIÊNCIA?



Psicóloga Leopoldina Veiga Guimarães Ferreira

A palavra resiliência etimologicamente parte do latim resilio ou resilire. A palavra resilio é formada por duas palavras: re, que indica retrocesso, e salio – saltar ou pular – que significa saltar para trás ou voltar saltando. Na física, este termo/conceito representa a ideia de reversão, como se ao quebrar uma lâmpada, o indivíduo fosse capaz de restaurá-la pelo efeito reverso. Seria a ideia presente na física, um retorno ao que se era anteriormente (BRANDÃO, 2011).
Na psicologia, resiliência é entendida “como um padrão de funcionamento adaptativo frente aos riscos atuais e acumulados ao longo da vida.” Englobando recursos psicológicos fundamentais “para a superação de adversidades, como as competências pessoais, as autocrenças e o controle interpessoal em interação com os apoios sociais” (FONTES, NERI, 2015, p. 1475).
Resiliência relaciona-se “aos fenômenos de resistência ao estresse, mas também aos de recuperação e de superação” (BRANDÃO, 2011, p. 268). Este conceito refere-se “tanto a pessoas que se abalaram e se recuperaram quanto aquelas que permaneceram bem todo o tempo” (BRANDÃO, 2011, p. 268).
No que diz respeito ao enfrentamento dos traumas psicológicos, cultivar a resiliência é fundamental. “O fator crucial ao desenvolvimento da resiliência está em como os indivíduos percebem sua capacidade de lidar com os eventos e controlar seus resultados” (PERES; MERCANTE; NASELLO, 2005, p. 133). Portanto, é fundamental que o indivíduo perceba a si mesmo e dialogue com seus conteúdos internos após a ocorrência de eventos que lhe geraram algum tipo de trauma. Deste modo, o resultado da reflexão pode ser satisfatório ou não, visto que “os diálogos internos de autopiedade, desamparo, autovitimização e autodepreciação podem realçar as emoções negativas relacionadas à memória traumática e exacerbar o sofrimento psicológico” (PERES; MERCANTE; NASELLO, 2005, p. 133). Assim sendo, é imprescindível que indivíduos traumatizados ao cultivarem tais diálogos de enfrentamento, por meio da psicoterapia, a fim de que modifiquem seu presente positivamente, superando com maior facilidade traumas psicológicos por ele vivenciados. Ressalta-se que a psicoterapia possibilita o confronto dos eventos traumáticos, mas também promove o fortalecimento de atitudes resilientes e consequentemente a reconstrução emocional do paciente (PERES; MERCANTE; NASELLO, 2005).
Desenvolver a resiliência é um processo que varia de paciente para paciente, pois cada indivíduo tem uma estruturação de personalidade ímpar, uma construção histórica diferenciada e consequentemente vivências distintas. Cabe ao profissional da psicologia conduzi-lo no enfrentamento das suas demandas, de maneira que ele vivencie o processo da resiliência na sua integralidade. Resta ao paciente entender, que não dá para permanecer em meio aos escombros traumáticos é possível, sim, reconstruir-se emocionalmente.

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Juliana Mendanha; MAHFOUD, Miguel; GIANORDOLI-NASCIMENTO, Ingrid Faria. A construção do conceito de resiliência em psicologia: discutindo as origens. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 21, n. 49, p. 263-271, 2011. <https://www.scielo.br/pdf/paideia/v21n49/14.pdf>. Acesso em: 27 de julho de 2020.

FONTES, A. P; NERI, A. L. Resiliência e velhice: revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 5, p. 1475-1495, 2015. Disponível em: <https://www.redalyc.org/pdf/630/63038239017.pdf>. Acesso em: 27 de julho de 2020.

PERES, J.F.P; MERCANTE, J. P. P; NASELLO, A. G. Promovendo resiliência em vítimas de trauma psicológico. Revista de psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 27, n. 2, p. 131-138, 2005. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/rprs/v27n2/v27n2a03.pdf>. Acesso em: 27 de julho de 2020.


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